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Retração no setor de serviços confirma desaceleração do PIB, diz economista

O setor de serviços brasileiro registrou retração em maio, frustrando as expectativas de continuidade da recuperação econômica. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (15) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o volume de serviços caiu 0,4% na comparação com abril, quando havia avançado 1,1%.

Em entrevista ao CNN Money, o economista do PicPay, Matheus Pizzani, destacou que o resultado de maio é particularmente relevante por se tratar de um mês sem fatores sazonais relevantes, o que permite uma leitura mais fiel da atividade econômica.

“Maio não tem nenhum tipo de estacionalidade muito forte. Então é um mês em que a gente consegue analisar as condições de oferta e demanda da economia de uma maneira mais crua, porque não tem nenhum efeito esporádico que vá acabar causando alguma distorção muito significativa”, afirmou.

A retração foi puxada principalmente pelos segmentos de transportes e de outros serviços prestados às famílias. De acordo com Pizzani, ambos são altamente sensíveis ao ritmo da atividade econômica.

“Quanto mais a atividade cresce, mais a gente demanda esse tipo de serviço”, explicou. No caso dos transportes, a queda foi concentrada no segmento aéreo. Já nos serviços prestados às famílias, embora parte do resultado possa refletir uma correção estatística, o movimento também indica perda de fôlego da economia.

“Mostra que, de fato, a atividade econômica está no momento de uma desaceleração”, disse.

O economista também chamou atenção para o desempenho do grupo de Serviços de Informação e Comunicação, tradicionalmente menos afetado por fatores conjunturais, como a taxa de juros. Segundo ele, esse segmento vem apresentando desaceleração nas últimas divulgações, um sinal que pode influenciar tanto o desempenho do PIB no segundo trimestre quanto a atividade econômica ao longo do restante do ano.

Na avaliação de Pizzani, os juros elevados começam a produzir efeitos mais visíveis sobre o setor de serviços, ainda que de forma mais gradual do que em outros segmentos da economia.

Ele afirma que as famílias enfrentam uma combinação de crédito mais caro, inflação elevada e um mercado de trabalho menos aquecido, o que reduz a capacidade de consumo.

“A tendência é que as famílias passem a abdicar de algum dos componentes da sua cesta de consumo e muitas vezes os serviços acabam sofrendo com essa escolha”, afirmou.

Sobre os possíveis impactos para a política monetária, Pizzani acredita que o resultado de maio será considerado pelo Copom (Comitê de Política Monetária), mas ressalta que será fundamental observar se o desempenho representa apenas uma oscilação pontual ou o início de um processo mais consistente de desaceleração da economia.

“Caso esse segundo cenário seja de fato a hipótese central, isso tende a ganhar cada vez mais peso sobre as discussões do Copom e pode sim abrir caminho para um corte de juros, seja na próxima reunião, mas também nas reuniões subsequentes”, concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.

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